Expressões Modalizadoras - Análise Linguística / Semiótica
Profa. TARCIA VASCONCELOS
Título
da aula:
Modalizadores
em Crônica Esportiva
Objetivos:
·
Compreender o que são os modalizadores e como
eles são utilizados em textos dissertativos.
·
Identificar palavras e expressões que denotam
as posições implícitas ou assumidas pelo jornalista em uma crônica esportiva.
·
Compreender o uso de adjetivos, locuções
adjetivas, advérbios, locuções adverbiais orações adjetivas e adverbiais como
elementos que servem para denotar estas posições.
·
Aprender qual a função da utilização de
modalizadores na construção textual.
Ano:
8º ano
do Ensino Fundamental
Objeto
do conhecimento:
Modalizadores
Textuais
Prática
de linguagem:
Análise
linguística e semiótica
Habilidade
da BNCC:
EF89LP16
Duração
das atividades:
2h/a
Metodologia
aplicada:
• Leitura
de material explicativo sobre modalizadores.
• Leitura
e interpretação de crônicas esportivas.
•
Atividades de múltiplas escolhas.
Crônica: da ameaça de um novo
‘Maracanazo’ ao êxtase com Gabigol
Por Jana
Sampaio
access_time 23
nov 2019, 21h30
A campanha pelo
título em casa mereceu menções dos entusiastas do futebol e reacendeu o
interesse dos torcedores desgarrados. No último confronto, que definiria o
campeão do torneio, uma reviravolta silenciou quem acompanhava a final no
Maracanã. O placar: 2 a 1; a partida: Uruguai e Brasil na final da Copa do
Mundo de 1950.
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O silêncio era o principal
elemento do estádio lotado. No início do segundo tempo, os torcedores, sem ter
no time uma inspiração para cantar e aplaudir, encontrou forças para pedir que
o time virasse o jogo. Lanternas de celulares foram acesas, os versos “vamos
virar, Mengo”
ecoaram e os rostos voltaram a encher-se de esperança. Não
bastou. Foram quase 74 minutos até que Gabigol conseguisse alterar o placar.
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O torcedor rubro-negro agora
comemora o título e espera não precisar passar pelo mesmo sufoco na final do
Mundial de Clubes, em dezembro, provavelmente contra o Liverpool.
(Fonte: https://veja.abril.com.br/esporte/cronica-da-ameaca-de-um-novo-maracanazo-ao-extase-com-gabigol/)
1.
A crônica, que narra o jogo da final das Libertadores realizado em 23/11/ 2019,
contém vários modalizadores/expressões modalizadoras, sendo que
a)
apesar de (l. 05) indica concessão e está diretamente ligada ao
contraste, à quebra de expectativa, já que, até os 43 minutos do segundo tempo,
o jogo foi dominado pelo time argentino.
b)
enquanto (l. 17) também traz ideia de concessão, já que “com mais
posse de bola”, ter dificuldade não é algo naturalmente esperado.
c)
até então (l.13) de indica consequência, porque as tentativas de
ataque do Flamengo motivaram o River Plate a fazer um bloqueio.
d)
ainda que (l.39) é conectivo de causa, já que apresenta o motivo de a
zaga alvinegra não ter aguardado o encerramento oficial da partida.
e)
mas (l.27) tem um significado alternativo, porque conecta duas opções
possíveis para serem aplicadas no jogo.
2.
As ideias veiculadas no texto se organizam estabelecendo relações que atuam na
construção do sentido. A esse respeito, identifica-se, no texto, que
a)
o termo “como”, em “como morte súbita”, introduz uma generalização.
b)
o conectivo “mas também” inicia oração que exprime ideia de contraste.
c)
o termo “Também” exprime uma justificativa.
d)
a expressão “Além disso” marca uma sequenciação de ideias.
e)
o termo “título” retoma “vitória”.
3.
Para se entender o trecho como uma unidade de sentido, é preciso que o leitor
reconheça a ligação entre seus elementos. Nesse texto, a coesão é construída
predominantemente pela retomada de um termo por outro e pelo uso da elipse. O
fragmento do texto em que há coesão por elipse do sujeito é:
a)
“[…] os hermanos tanto mostraram ao longo de décadas.” (l.07)
b)
“[…] que escreveu definitivamente o nome na história do futebol”. (l.09)
c)
“No Maracanã, as crianças choravam.” (l.28)
d)
“Na verdade, era a segunda vez que Gabigol balançava as redes do time
adversário.” (l.37)
e)
“o camisa 9 passou quase 88 minutos sem ser.” (l.12)
4.
O texto acima possui elementos coesivos que promovem sua manutenção temática. A
partir dessa perspectiva, conclui-se que
a)
a palavra “mas”, na linha 27, contradiz a afirmação do parágrafo anterior.
b)
a expressão “ainda que”, na linha 39, introduz uma explicação que não encontra
complemento no início do texto.
c)
as expressões: “números alcançados” e “recordes quebrados”, na linha 10, reforçam
a ideia que perpassa o texto sobre a grande possibilidade do River Plate
conquistar o título.
d)
o uso da palavra “silêncio”, na linha 31, é um termo primordial para indicar a
emoção dos torcedores.
e)
a expressão “balançava as redes”, na linha 37, que substitui o termo “gol”, reforça
a ideia de uma catástrofe iminente para os torcedores brasileiros.
5.
A autora utiliza a palavra mas em duas situações no texto. Analisando
aspectos da organização, estruturação e funcionalidade dos elementos que
articulam o texto, o conectivo mas
a)
expressa o mesmo conteúdo nas duas situações em que aparece no texto.
b)
quebra a fluidez do texto e prejudica a compreensão, se usado no início da
frase.
c)
ocupa posição fixa, sendo inadequado seu uso na abertura da frase.
d)
contém uma ideia de sequência temporal que direciona a conclusão do leitor.
e)
assume funções discursivas distintas nos dois contextos de uso.
6.
Na coesão textual, ocorrem fenômenos linguísticos chamados anáfora e catáfora,
que são antecipações ou retomadas de termo presente ou não no texto. A
diferença entre esses mecanismos depende da posição ocupada em relação ao item
referido. Se catáfora ocorre quando um termo se refere a algo que ainda vai ser
enunciado na frase. Um exemplo em que o termo destacado constrói uma catáfora
é:
a)
“Apesar das semelhanças (...)” (l. 5)
b)”
(...) ganhou aquilo que os hermanos tanto mostraram ao longo de décadas:”
(l.6-7)
c)
“Dois minutos depois, os mais distraídos achavam estar diante de uma cena 9...)”
(l.36)
d)
“No Maracanã, as crianças choravam (...)” (l. 28)
e)
“O clima não podia ser outro que não o de celebração.” (l. 23)
Referências
consultadas:
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 2009.
CORBARI, Alcione Tereza. Modalizadores: A negociação em
Artigo de opinião. Linguagem em (Dis)curso – LemD, Tubarão, SC, v. 16, n. 1, p.
117-131, jan./abr. 2016. Disponível em: <
http://www.scielo.br/pdf/ld/v16n1/1518-7632-ld-16-0100117.pdf>. Acesso em: 9
jul. 2018.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil e
Ensino Fundamental. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017.
FIORIN, José Luiz. Modalização: da língua ao discurso.
Alfa. n. 44, p. 171-192, São Paulo, 2000. Disponível em: <
https://periodicos.fclar.unesp.br/alfa/article/view/4204>. Acesso em: 9 jul.
2018.
MARCUSCHI, L. A. Gêneros Textuais: definição e funcionalidade.
In: Dionísio, Angela Paiva, Machado,
Anna Raquel, Bezerra, M. Auxiliadora. Gêneros textuais e ensino. Rio de
Janeiro: Lucerna, 2002. p. 19-36.
NASCIMENTO, Erivaldo Pereira do. A Modalização no Gênero
Notícia Jornalística. Revista do Gelne, v. 8, n. 12, p. 71-86, 2006.
Disponível em: < https://periodicos.ufrn.br/gelne/article/view/11519>.
Acesso em: 9 jul. 2018.
SCHNEUWLY, Bernard; DOLZ, Joaquim; NOVERRAZ, Michèle. Sequências
didáticas para o oral e a escrita: apresentação de um procedimento. In:
ROJO, Roxane. Gêneros orais e escritos na escola. Campinas, SP: Mercado de
Letras, 2004.
TRAVAGLIA, Luiz Carlos. A caracterização de categorias de
texto: tipos, gêneros e espécies. Alfa, São Paulo, v.51, n.1, p. 39-79.
2007. Disponivel em: http://seer.fclar.unesp.br/alfa/article/view/1426/1127.
Acesso em: 4 jul. 2018.