
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ - UFC
PROGRAMA DE MESTRADO PROFISSIONAL - PROFLETRAS
TARCIA TEIXEIRA DE VASCONCELOS
O USO DO CONTO FANTÁSTICO COMO ESTRATÉGIA DE
LETRAMENTO LITERÁRIO
Fortaleza
2019
O USO DO CONTO FANTÁSTICO COMO ESTRATÉGIA DE
LETRAMENTO LITERÁRIO
LINHA DE PESQUISA: LETRAMENTO LITERÁRIO
Projeto de Dissertação de
Mestrado apresentado ao Programa de Mestrado Profissional - Profletras/UFC em Linguagem como requisito parcial para a
obtenção de nota na disciplina Projeto de Pesquisa ministrada pela Profa. Dra.
Maria Elias Soares.
Orientador: Prof.Leite Júnior, Dr.
Fortaleza
2019
LISTAS
Lista
de siglas e abreviaturas
BNCC – Base Nacional Comum Curricular
IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação
Básica
PCN - Parâmetros Curriculares Nacionais
PISA – Programa Internacional de Avaliação de
Estudantes
SEDUC – Secretária de Educação
ZDP – Zona de Desenvolvimento Proximal
Lista
de quadros
|
21
|
|
|
Quadro 2 –
Variáveis................................................................................
|
22
|
Lista
de figuras
|
Figura 1 – ZDP por
Vygostky....................................................................
|
24
|
1
OBJETIVO .................................................................................................................. 6
1.1 Tema ..........................................................................................................................
6
1.1.1
Delimitação do tema .............................................................................................. 6
1.2 Objetivo geral ........................................................................................................... 6
1.2.1 Objetivos específicos.............................................................................................. 6
2 JUSTIFICATIVA ........................................................................................................ 7
3 OBJETO...................................................................................................................... 12
3.1 Problema ................................................................................................................. 12
3.1.1 Questões de pesquisa............................................................................................ 12
3.2 Hipóteses ................................................................................................................. 14
3.2.1 Hipótese primária................................................................................................. 14
3.2.2 Hipóteses secundárias ......................................................................................... 14
4 METODOLOGIA ..................................................................................................... 15
4.1 Caracterização da pesquisa ................................................................................... 15
4.2 Delimitação do universo da
pesquisa .................................................................... 16
4.3 Procedimento de coleta de
dados .......................................................................... 16
4.3.1 Fontes primárias .................................................................................................. 17
4.3.2 Observação direta ............................................................................................... 17
4.3.3 Entrevista semipadronizada ............................................................................... 17
4.3.4 Fontes secundárias .............................................................................................. 18
4.4.1 Fase Diagnóstica..................................................................................................... 19
4.4.2 Fase de design ...................................................................................................... 19
4.4.4 Fase de avaliação ................................................................................................. 20
4.5 Quadro metodológico.............................................................................................. 21
5 FUNDAMENTAÇÃO ........................................................................................ .......23
5.1 Base Legal ............................................................................................................... 23
5.3 Contexto pedagógico .............................................................................................. 26
5.4 Pressupostos teóricos .............................................................................................. 28
5.4.1 Letramento literário ............................................................................................ 28
5.4.2 Conto fantástico ................................................................................................... 30
6 CRONOGRAMA ...................................................................................................... 35
REFERÊNCIAS............................................................................................................ 35
BIBLIOGRAFIA A SER CONSULTADA................................................................. 39
APÊNDICES.................................................................................................................. 44
1. OBJETIVO
1.1 TEMA
Letramento
literário.
1.1.1 Delimitação do tema
Uso do
conto fantástico como estratégia de letramento literário para alunos do 8° ano
de escola pública.
1.2 OBJETIVOS.
1.2.1 Objetivo geral
Incentivar
a leitura através do conto fantástico.
1.2.2 Objetivos específicos
·
Formar leitores
críticos e reflexivos capazes de compreender uma gama diversificada de gêneros
literários.
·
Desenvolver a
sensibilidade estética, a imaginação, a criatividade e o senso crítico,
buscando estabelecer relações entre a leitura e o conhecimento de mundo do
aluno.
·
Promover o
contato com autores nacionais e estrangeiros, em especial na literatura
fantástica.
2. JUSTIFICATIVA
“Ler por ler nada
significa. A leitura é um meio, um instrumento, e nenhum instrumento vale por
si só, mas pelo bom emprego que dele cheguemos a fazer. O que mais importa na
fase de transição, a que este livro se destina, são os hábitos que as crianças
possam tomar em face do texto escrito.” (LOURENÇO FILHO,
1959, p.110)
Os
livros de narrativa sempre me cativaram, sobretudo em relação aos contos
maravilhosos e fantásticos, que estiveram presentes de forma marcante durante
todo meu período escolar. Como estudante
de Letras, meu interesse sobre a literatura fantástica tornou-se outro além do
prazer de ler.
No
decorrer das minhas atividades docentes, ministrando Literatura no Ensino Médio
em escolas particulares de Fortaleza, chamou-me atenção a apreciação por parte
dos alunos de crônicas narrativas e contos de mistérios. E, essa percepção
ficou mais consolidada há 3 anos quando voltei para sala de aula, dessa vez nos
anos finais do Ensino Fundamental de escolas públicas de Fortaleza. Logo de
cara, fiquei responsável pelos projetos literários da escola. E no início,
percebi grande resistência dos alunos em efetivar atividades de leitura. Por estratégia,
fui testando vários gêneros e temáticas.
Entretanto,
durante o período da aplicação dos projetos literários, os alunos abandonavam a
leitura, ficavam dispersos ou fingiam ler. Só voltaram a atender os objetivos
da oficina de leitura, quando as narrativas fantásticas foram inseridas na
proposta da oficina. Todas as salas responderam positivamente às narrativas
fantásticas. Mas foi numa sala com mais de 30% de alunos portadores de
necessidades especiais que observei maior interesse e adesão ao círculo de
discussão literária.
Após
a leitura da primeira história, percebi que os alunos se envolveram com a
narrativa e debateram com paixão sobre a temática e o enredo da obra. Demonstraram
curiosidade para conhecer novas narrativas do universo fantástico. Foi nesse momento,
ao receber um feedback positivo dos alunos, que vislumbrei como os
contos fantásticos podem cativar os alunos nas aulas de leitura.
Regina Zilberman em
entrevista com a discute a importância dos textos literários em sala de aula:
“Há uma gama variada de pesquisas sobre o assunto,
que começam com as questões de aquisição da escrita, estendem-se à psicolinguística
e à sociolinguística e chegam à teoria da literatura, que desenvolveu uma ampla
área de investigação relacionada aos processos de leitura e de formação do
leitor. A escola, nesse caso, pode ser entendida tanto como o local onde se dá
a aprendizagem da leitura e a preparação para o consumo de obras impressas,
quanto como o espaço do desencantamento e da perda da magia trazida da
infância, já que impede o contato direto com o mundo da oralidade, onde se
fazia a transmissão original de histórias (contos de fadas, poemas, cantigas de
ninar, etc.). A leitura na escola constitui um amplo campo de investigação
porque, nas atuais condições de aprendizagem e ensino, é o lugar onde o
indivíduo pode amadurecer intelectualmente ou retrair-se, evitando (ou
minimizando) seus intercâmbios com o universo da cultura.” (ZILBERMAN, 2007, p. 17)
Dessa
forma então, os professores, não só os de Língua Portuguesa, deveriam incentivar
a leitura com esse objetivo – a formação do indivíduo –, pensamento também compartilhado
de Juracy Saraiva (2006), de acordo com as orientações dos Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCN, BRASIL, 1998):
“Grande parte dos professores demonstra
desconhecer a especificidade do texto literário e a função formadora da
literatura, atribuindo a razão da escolha dos textos literários a aspectos que
lhe são exteriores, como a ampliação do vocabulário, a assimilação de regras da
escrita ou, até mesmo, a preparação para exames de mudança de ensino. [...]
Além disso, por ignorar a interação do texto-leitor, o docente substitui a
leitura como prática significante por exercícios centrados no reconhecimento de
informações, impedindo, assim, que os alunos participem da descoberta do real
que o poder imagético do texto desencadeia e do prazer da exploração dos
recursos da linguagem que todo texto estético mobiliza.” (SARAIVA, 2006, p. 27)
Se
os textos literários servirem apenas como ferramenta para ensinar gramática,
deixa-se de lado um de seus aspectos mais importantes e encantadores; e se reduz
o material literário para um aglomerado de palavras e frases desconectadas e
incoerentes para serem instrumentos de análise nos exercícios gramaticais. Segundo
Lucas (1989, p.16, p.14), a comunicação literária “[...] está ligada à mais
palpável e indefinida das realidades. Há quem sustente que a literatura vem a
ser a mais confessional das artes” e “[...] à ancestral procura de sentido para
a vida, quando se prende à infatigável capacidade realizadora do homem, que
inclui a auto-realização através da linguagem.”
A
leitura de textos literários deve ser incentivada nas escolas, para evitar a
formação de indivíduos alienados, robôs que seguem sem questionar ordens, subordinando-se
a regras e normas. Conforme Candido (2011) em Direito à Literatura: “Ela (a Literatura) não corrompe nem edifica,
portanto; mas, trazendo livremente em si o que chamamos o bem e o que chamamos
o mal, humaniza em sentido profundo, porque faz viver”.
A Literatura deve sim ser oferecida
abundantemente em sala de aula, como Regina Zilberman (2003, p. 25) defende:
“[...] Ela sintetiza, por meio de recursos
da ficção, uma realidade, que tem amplos pontos de contato com o que o leitor
vive cotidianamente. Assim, por mais exacerbada que seja a fantasia do escritor
ou mais distanciadas e diferentes as circunstâncias de espaço e tempo dentro
das quais uma obra foi concebida, o sintoma de sua vivência é o fato de que ela
continua a se comunicar com seu destinatário atual, porque ainda fala com o
mundo, com suas dificuldades e soluções, ajudando-o, pois a conhecê-lo melhor.”
É
imprescindível incentivar o interesse dos alunos na literatura. Estimulando-os
para que aproveitem a leitura, levando-os a desenvolver habilidades leitoras. Apesar
das imensas dificuldades nas atividades propostas pelos professores, os alunos
em si têm curiosidade, querem saber, querem aprender, querem fazer.
Assim,
estimular a curiosidade desses alunos pela leitura é um desafio para o
professor, que deverá utilizar como estratégia aulas que ofereçam uma gama de
gêneros literários para sua sala. Pois ao conhecer esses gêneros, o aluno pode
se identificar e ser cativado por algum (ou vários) desses gêneros. O texto
literário deve ser cativante para o aluno. Essa é a finalidade da Literatura:
cativar! Mas, por vários motivos, a escola muitas vezes não alcança esse
intento. Pelo contrário, à medida que os anos escolares passam, os alunos se
afastam dos livros.
Diante
dessa problemática, a inserção dos contos fantásticos nas aulas de Língua
Portuguesa talvez oportunize o surgimento de novos leitores literários. Mas só
acontecerá essa interação aluno-texto se o professor respeitar os gostos, os
interesses, as potencialidades de seus alunos fornecendo material para
inspirá-los. E, acredito sim, que as narrativas fantásticas poderão
incentivá-los, já que se constituem em um gênero no estilo game com elementos multissensoriais que provocam interesse,
cultivando a curiosidade do início ao fim da narrativa.
A
perspectiva interacionista da leitura literária por Bakhtin é contrária às
velhas práticas do utilizar o texto como instrumento isolado para estudo dos
aspectos gramaticais, e, quando se desconsidera o contexto, alguns indícios característicos
são eliminados:
“[...] os indícios que revelariam seu
caráter de dirigir-se a alguém, a influência da resposta pressuposta, a ressonância
dialógica que remete aos enunciados anteriores do outro, as marcas atenuadas da
alternância dos sujeitos falantes que sulcaram o enunciado por dentro. Tudo
isso, sendo alheio à natureza da oração como unidade da língua, perde-se e
apaga-se. Esses fenômenos se relacionam com o todo do enunciado e deixam de
existir desde que esse todo é perdido de vista.” (BAKHTIN, 1997
p. 317).
Aqui
Bakthtin corrobora a importância do contexto para produzir significado, já que
a compreensão textual está na interação dialógica entre leitor-texto. Entender
esse processo significa que é possível conduzir o leitor a se conectar com
poder de compreensão, criação, imaginação, construção, levando-o a compreender
todas suas potencialidades e limitações cognitivas.
E
ao dar autonomia ao indivíduo (leitor), permite assim que ele se expresse e
manifeste. Geraldi (2012) fala sobre a etapa anterior à seleção dos textos
literários:
“Para mantermos a coerência entre uma
concepção de linguagem como interação e uma concepção de educação, devemos nos
conduzir a uma mudança de atitude - enquanto professores - ante o aluno. Dele
precisamos nos tornar interlocutores para, respeitando-lhe a palavra, agirmos
como reais parceiros: concordando, discordando, acrescentando, questionando,
perguntando, etc.” (p. 128).
Ao
conhecer seus alunos, o professor percebe seus interesses e respeita suas
escolhas de leitura, transformando assim, sua sala de aula em um ambiente de
interação, onde o aluno é ouvido e percebido
E
por isso optei pela narrativa fantástica em virtude ao interesse dos alunos,
principalmente entre aqueles dos anos finais do Ensino Fundamental II, durante
os projetos literários no âmbito escolar entre 2016 a 2019.
A
opção pelos contos com abordagem fantástica e suas subclassificações diz
respeito ao fato de que nesse gênero:
“[..] a magia desempenha um papel fundamental,
estando sua presença associada a uma personagem que dificilmente ocupa o lugar
principal. Eis uma característica decisiva desse tipo de história: o herói
sofre o antagonismo de seres mais fortes que ele, carecendo do auxílio de uma
figura que usufrui de algum poder, de natureza extraordinária. Para fazer jus a
essa ajuda, porém, o herói precisa mostrar alguma virtude positiva, que é,
seguidamente, de ordem moral, não de ordem física ou sobrenatural. (...) É
possível, pois, entender o que significa a magia nos contos fantásticos: é a
forma assumida pela fantasia, de que somos dotados, e que nos ajuda a resolver
problemas.” (ZILBERMAN, 2009, p.5)
A narrativa fantástica é um gênero do
cotidiano dos alunos, pois são temáticas constantes em games, séries televisivas e no cinema. A aventura, a magia, o mistério
e o suspense são alguns dos elementos que despertam a curiosidade dos
adolescentes. Todorov (1980, p. 15, 16) explica melhor:
“O fantástico ocupa o tempo desta
incerteza. [...] O fantástico é a vacilação experimentada por um ser que não
conhece mais que as leis naturais, frente a um acontecimento sobrenatural. [...]
se produz um acontecimento impossível de explicar pelas leis desse mesmo mundo
familiar. Que percebe o acontecimento deve optar por uma das duas soluções
possíveis: ou se trata de uma ilusão dos sentidos, de um produto de imaginação,
e as leis do mundo seguem sendo o que são, ou o acontecimento se produziu
realmente, é parte integrante da realidade, e então esta realidade está regida
por leis que desconhecemos. [...]
Roger Caillois, em Au couer du fantastique,
afirma que ‘Todo o fantástico é uma ruptura da ordem reconhecida, uma irrupção
do inadmissível no seio da inalterável legalidade cotidiana’.”
3. OBJETO
3.1 PROBLEMA
3.1.1
Questões da pesquisa
·
Os projetos de
leitura de contos fantásticos e planejamentos de aulas que envolvam a
literatura fantástica nas séries finais do ensino fundamental promovem o
letramento literário?
Ler é uma das dificuldades mais
incidentes nos alunos de diferentes níveis da Educação Básica, por não
aplicarem estratégias adequadas para essa atividade. Segundo relatório do PISA
2015:
“O desempenho dos alunos no Brasil está abaixo da média dos alunos em
países da OCDE em ciências (401 pontos, comparados à média de 493 pontos), em
leitura (407 pontos, comparados à média de 493 points) e em matemática (377
pontos, comparados à média de 490 pontos).”
“A média do Brasil na área de leitura também se manteve estável desde o
ano 2000. Embora tenha havido uma elevação na pontuação de 396 pontos em 2000
para 407 pontos em 2015, esta diferença não representa uma mudança
estatisticamente significativa. Na área
de matemática, houve um aumento significativo de 21 pontos na média dos alunos
entre 2003 a 2015. Ao mesmo tempo, houve um declínio de 11 pontos se
compararmos a média de 2012 à média de 2015.”
Mesmo com rasas melhoras na
pontuação das últimas avaliações - os resultados nas áreas de matemática e
compreensão leitora -, o Brasil ainda ocupa a penúltima posição de 65 países
avaliados.
Por esse cenário preocupante
na educação básica, este projeto de pesquisa considera as características encontradas
nos alunos das séries finais do ensino fundamental, como apatia, quase uma
ojeriza pelas atividades de leitura, que impactam na sua aprendizagem e que
influenciam as suas qualificações nas várias áreas do currículo.
Esses alunos ainda não aptos a
identificar os títulos, personagens da história, localizar as ideias
principais, seguir as sequências de uma história, descrever as características
dos personagens da história, e têm dificuldades de opinar sobre os textos.
A causa dos baixos níveis de
compreensão leitora é atribuída à influência de método tradicional, que coloca
o aluno como um receptor passivo, submisso, quase inerte, resultando em um
sujeito com deficiência na decodificação, pobreza de vocabulário, deficiências ou
falta de domínio de estratégias de leitura e escasso conhecimento prévio
leitor.
Por estas razões, nossos
alunos têm notas baixas no assunto de comunicação, que afeta outras áreas, porque,
se eles não entendem o que leem, não
serão capazes de resolver problemas matemáticos, e eles poderão ser indivíduos
frustrados sem metas e objetivos, dificultando sua inserção na sociedade, que
hoje é dinâmica e que exige muitas
competências comunicativas.
Para superar esse problema, as
histórias fantásticas cativam, encantam e entretêm os alunos pelo jogo, pelo
insólito, pela linguagem, pela narrativa objetiva e curta, e pelo mesmo tema
que são fantasias que ajudarão a desenvolver sua criatividade e imaginação que,
ao mesmo tempo, isso os levará a desenvolver habilidades comunicativas.
Percebendo todas essas
questões que afligem os professores e alunos das séries finais do ensino
fundamental, trouxe para mim o compromisso de realizar uma pesquisa que responda
à pergunta:
·
O
conto fantástico promove a formação de leitores literários proficientes?
3.2 HIPÓTESES
3.2.1 Hipótese primária
Considerando-se as questões
propostas para investigação nesta pesquisa, partimos da seguinte hipótese:
·
O uso do conto fantástico pode colaborar no
processo de letramento literário, proporcionando a entrada dos alunos no
universo literário, desenvolvendo assim habilidades cognitivas de leitura que
os tornarão leitores proficientes.
3.2.2 Hipóteses secundárias
A partir da hipótese básica,
levantamos as seguintes hipóteses secundárias:
• A leitura de contos fantásticos possibilita
aos alunos refletirem sobre si e sobe o mundo, não porque vivenciam situações
que são da ficção, mas que têm inspiração na condição humana.
• A aplicação de histórias fantásticas será de
grande ajuda para os nossos alunos que verão o ato de ler como algo divertido
que pode levá-los a melhor distribuir seu tempo para ler textos cativantes e
instigantes.
• A aplicação de contos fantásticos nas aulas de
língua portuguesa incentiva a leitura literária.
• A leitura de contos fantásticos contribui para
o desenvolvimento do aluno em diferentes aspectos: cognitivo, sensorial,
artístico, social e cultural.
4. METODOLOGIA
“Eu acredito na intuição e na inspiração. A
imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado,
enquanto a imaginação abraça o mundo inteiro, estimulando o progresso, dando a
luz à evolução. Ela é, rigorosamente falando, um fator real na pesquisa
científica.” (EINSTEIN, 2011)
4.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA
O que é
pesquisa? De acordo com Gil (2002):
“[...] procedimento
racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos
problemas que são propostos. A pesquisa é requerida quando não se dispõe de
informação suficiente para responder ao problema, ou então quando a informação
disponível se encontra em tal estado de desordem que não possa ser
adequadamente relacionada ao problema.” (p.17)
Ainda para Gil
(2008), pesquisas são como:
“[...] processos formais
e sistemáticos de desenvolvimento do método cientificam tendo como objetivo
central descobrir respostas para problemas mediantes o emprego de procedimentos
científicos a partir dessa conceituação, podemos, portanto, definir a pesquisa
social como o processo que, ao utilizar a metodologia cientifica, nos permite a
obtenção de novos conhecimentos no campo da realidade social.” (p.27).
Já Tamayo
(1998) define pesquisa como "prolongada, intensiva e intencional. Isto é,
a pesquisa por si só constitui um método para descobrir verdade é, de fato, um
método de pensamento crítico "(p. 38).
Devido ao
exposto, para verificar as hipóteses e cumprir os objetivos propostos neste processo
de investigação, a pesquisa será baseada em um estudo de abordagem qualitativa.
Mesmo sendo uma pesquisa de natureza qualitativa, este trabalho não tem por
finalidade considerar todas as informações coletadas no processo de
investigação. Priorizei algumas questões para melhor percepção da forma como os
alunos exploram os contos fantásticos, e buscar soluções e reformular
estratégias para os problemas de compreensão leitora.
Pretendo fazer
uma análise descritiva do fenômeno educacional em indivíduos matriculados nas
séries finais do Ensino Fundamental, que envolve o estudo dos aspectos
emocionais e cognitivos. Serão levadas em consideração a metodologia e a
didática no desenvolvimento dos conteúdos para desenvolver habilidades leitoras
nos alunos, mediado todos os itens acima por um processo de reflexão e crítica
constante dos dados e das informações coletadas.
O tipo de
pesquisa a ser aplicada será The Action
Research, isto é, a pesquisa-ação, pois permite a participação e
contribuição do pesquisador, que permanecerá em relação direta com a
população-alvo do estudo. As informações deverão ser coletadas sem que haja
quaisquer alterações, embora, o pesquisador e a população-alvo do estudo devam
interagir de forma dinâmica para encontrar a solução para o problema de pesquisa.
Dessa forma, para
a coleta de dados valemo-nos das seguintes técnicas de pesquisa: aplicação de
um questionário para selecionarmos alunos com perfil de leitores; uma vez
selecionados, esses participarão da segunda etapa do projeto: oficina de
leitura de contos fantásticos.
4.2 DELIMITAÇÃO
DO UNIVERSO DA PESQUISA
Bernal (1965)
aponta que a população “é a totalidade de elementos ou indivíduos que possuem características
semelhantes e sobre as quais desejamos fazer inferência. "
Dessa forma, a
população-alvo do projeto é composta por 20 (vinte) alunos dos anos finais do
ensino fundamental da escola pública de Fortaleza Lireda Facó.
4.3
PROCEDIMENTO DE COLETAS DE DADOS
A técnica de
coleta de dados pode ser definida como "a maneira pela qual abordará o
objeto de estudo” (ARTIGAS; WILEIDYS; ROBLES, 2011, p. 12).
Baseado nisso,
o desenvolvimento desta pesquisa terá diferentes tipos de fontes de pesquisa,
entre eles será usado fontes primárias, pois as informações serão tomadas
diretamente da população-alvo com a intenção de proporcionar confiabilidade e
seriedade ao processo de pesquisa.
4.3.1 Fontes primárias
Fontes
primárias são definidas como "todas aquelas das quais as informações são
obtidas direta, isto é, de onde a informação se origina." (Artigas,
Wileidys e Miguel, 2011, p. 12).
4.3.2 Observação direta
Para Ernesto
Rivas González (1997):
“A pesquisa direta é aquela em que o pesquisador
observa diretamente os casos ou indivíduos em que o fenômeno ocorre, entrando
em contato com eles; seus resultados são considerados dados estatísticos
originais, isso também é chamado de investigação primária.” (p.23)
Assim podemos
entender que observação direta é quando se tem contato direto com os elementos
ou personagens do que apresenta o fenômeno que se pretende investigar, e os
resultados obtidos são considerar dados estatísticos originais.
4.3.3 Entrevista Semipadronizada
Segundo Blanco
(1992, p.47) “um instrumento é um formato com um conjunto de questões (estruturados
ou não) que são o produto de uma variável que tem sido suportado teoricamente e
que foram extraídas suas dimensões e indicadores ".
Para fins de
obtenção de informações confiáveis e de acordo com a realização de os
objetivos definidos serão pesquisas implementadas. E uma técnica de investigação
que consiste em um interrogatório verbal ou escrito que é feito para as pessoas
a fim de obter certas informações necessárias para uma investigação Dentro dos
tipos de pesquisas estão a entrevista e o questionário: quando a pesquisa é verbal, geralmente é feito usando o método de
entrevista; e quando a pesquisa é escrita é geralmente utilizar o instrumento
do questionário, que consiste num documento com uma lista de perguntas que são
feitas às pessoas a serem pesquisadas.
Para efeitos
de eficácia e relevância dos dados recolhidos, apenas um tipo de inquéritos
porque é a entrevista semipadronizada o instrumento mais eficaz e pertinente para
esses adolescentes dos anos finais do Ensino Fundamental por causa de sua tenra
idade e sua capacidade limitada de se expressar de informação desejável com
precisão para tornar objetiva a informação obtida a partir deles. E para maior
coerência dos dados obtidos em relação às variáveis, a pesquisa semiestruturada
porque "é composto de listas formais de perguntas que são eles formulam todos
igualmente "(p.1)
Para Flick
(2004), a entrevista semipadronizada parte da premissa de que os sujeitos
entrevistados expressam seus pontos de vista mais facilmente em situações em
que exista confiança, além de uma boa abertura e de uma sensível flexibilidade
na interação com o entrevistador. O que se busca numa entrevista
semipadronizada é a reconstrução dos conteúdos da teoria subjetiva particular a
cada sujeito. Para tal, é imprescindível trabalhar a colaboração entre
entrevistador e entrevistado.
4.3.4 Fontes
secundárias
No mesmo
sentido, esta pesquisa refere-se a revistas e autores físicos e digitais que
tomaram pesquisas e dados de outros autores para esboçar interpretações que pode
ajudar a entender a natureza do fenômeno em questão, bem como suas causas.
Secundárias porque
são todas aquelas fontes que oferecem informações sobre o assunto a ser
investigado, mas que não são as fontes originais dos fatos ou do contexto.
4.4 PROCEDIMENTO DE ANÁLISE DE DADOS
A preferência
por essa abordagem metodológica – qualitativa com caráter participativo -, é
por acreditar que a objetividade plena não é possível e que, como membro que
age e interage na realidade que analisa tem interesses e visões que não
coincidem necessariamente com as dos indivíduos suscetíveis de serem objetos de
pesquisa.
Este projeto
será implementado em alunos dos anos finais do Ensino Fundamental através de
atividades que lhes permitam interagir individualmente e grupo. E isso permite
visualizar cada uma das características desses alunos, tais como gosto, sua
atitude e assim conhecer cada um deles ao máximo, por isso será feito em cada uma
das aulas para que despertem o interesse das crianças pela leitura, isso como método
de ensino - aprendizagem. Buscando a participação de cada um dos alunos de
forma ativa, numa oficina de leitura: através
de atividades lúdicas, jogos e leituras onde os alunos exercitem qualidade de
atenção ao ouvir e ler os contos fantásticos.
Imediatamente
depois, a participação ativa dos alunos em um processo de feedback,
através da formulação de perguntas previamente elaboradas de acordo com o nível
cognitivo dos alunos: como questionários e conversas didáticas em que eles vão
participar, e onde poderemos perceber cada uma das características de
aprendizagem, e onde observaremos o modo de aprender de cada um, como ser
social e individual.
4.4.1 Fase Diagnóstica
No processo
diagnóstico deste projeto, a observação direta da aula, processo pelo qual, a
professora que aqui escreve entrará na turma com uma folha de observação com
intuito de avaliar aspectos como atenção, participação e estratégia de leitura
dos alunos.
4.4.2 Fase de Design
A partir das
informações geradas pela observação direta da aula através da aplicação de um
instrumento denominado folha de
observação da aula, será possível identificar problema e, em seguida, selecionar
14 alunos de uma sala de aula por um processo de análise e concordância com os objetivos
do projeto.
Assim será possível
consultar esses alunos, através de um questionário, sobre que estratégia metodológica
será aplicada na oficina de leitura dos contos fantásticos, como: escolher os
contos fantásticos, promover essa leitura de forma lúdica, contribuir para o
hábito da leitura, melhorar a sua concentração de alunos para através de uma
estratégia de jogos, criar estratégias de compreensão leitora etc.
4.4.3. Fase de
Intervenção
Na intervenção
inicial da turma selecionada, a professora vai ler as histórias, e é por isso
que foi decidido implementar uma estratégia onde a atenção dos alunos possa ser
capturada e, assim, melhorar a compreensão textual e a livre expressão deles.
Portanto, esta
proposta é feita a fim de identificar as deficiências encontradas em a sala de
aula, para que permitam a reorientação do processo de pesquisa a partir de um
processo de análise das causas do insucesso da aplicação das estratégias
leitoras e das atividades de compreensão aplicadas aos alunos.
4.4.4. Fase de
avaliação
Após o
processo de observação das atividades de leitura da oficina de contos
fantásticos, será realizada uma avaliação da turma, onde vários aspectos serão
considerados: o processo de promoção da leitura, as fraquezas didáticas da
oficina, porque as estratégias não conseguem captar a atenção da maioria dos os
alunos gerando um ambiente de resistência ao processo de leitura etc.
4.5 QUADRO METODOLÓGICO
Para a consecução desta pesquisa, proponho, inicialmente,
os seguintes procedimentos didáticos baseados nos modelos de círculos de
leitura propostos por Harvey Daniels (2002, p. 140-148) e atividades escolares
organizadas sistematicamente (sequência didática) propostas por Dolz, Noverraz
e Schneuwly (2004, p. 95-128):
|
1ª ETAPA
|
2ª ETAPA
|
3ª ETAPA
|
4ª ETAPA
|
5ª ETAPA
|
|
Elaboração de questionários para verificar as representações sociais
da literatura no cotidiano dos alunos.
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Seleção de contos, filmes, séries, games etc. do universo fantástico para
constituir o módulo didático.
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Leitura de contos fantástico previamente selecionados entre os
participantes da oficina.
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A partir dos resultados da 3ª etapa, evoluir com módulo didático.
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Relato sobre a geração do produto (modulo didático).
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Aplicação do questionário inicial.
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Organização do material selecionado e montar o módulo didático.
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Debates e registros sobre a leitura serão feitos para discussão sobre
os textos.
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Replicar os questionários e analisar os novos resultados.
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Análise dos resultados da implementação (trabalho final).
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Seleção de 14 alunos no universo de 35 em uma sala de aula para
participar da oficina de leitura.
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Uma avaliação feita por meio de observação e autoavaliação do aluno.
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Confrontar resultados novos com os antigos e verificar se a hipótese
de pesquisa é confirmada ou não.
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A sala será dividida em 7 equipes. E cada equipe terá 2 participantes
da oficina como orientadores
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Aplicação de questionários sobre o material estudado.
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Os 2 orientadores terão a função de replicar leitura, debates,
conteúdos da oficina para os participantes de sua equipe.
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Análise dos resultados obtidos.
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Fonte: Elaboração própria (2019)
Para produção do módulo didático mencionado no
quadro anterior serão considerados variáveis, dimensões, indicadores e
instrumentos descritos no quadro a seguir:
Quadro 2: Variáveis
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VARIÁVEIS
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DIMENSÕES
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INDICADORES
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INSTRUMENTOS
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INDEPENDENTES
(Contos
fantásticos)
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SELEÇÃO
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▪ Selecionar os contos fantásticos.
▪ Escolher uma história fantástica
que é motivadora para o aluno.
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▪ Contos
fantásticos
▪ Oficina de
leitura
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APLICAÇÃO
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▪Aplicar os contos fantásticos já selecionados.
▪Aplicar os contos fantásticos por uma
sequência didática.
▪Aplicar os contos fantásticos através
de oficinas de leitura.
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AVALIAÇÃO
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▪Avaliar com questionários.
▪Avaliar os resultados alcançado com os contos fantásticos.
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DEPENDENTES
(Compreensão de leitura)
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INFORMAÇÕES
EXPLÍCITAS
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▪Identificar o título da história.
▪Identificar os nomes dos personagens do conto.
▪Reconhecer a ideia principal da história.
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▪ Primeiro
questionário
▪ Questionário final
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COMPREENSÃO
INFERENCIAL
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▪Deduzir o significado das novas palavras de texto.
▪Descrever as características
dos personagens.
▪Inferir as causas de um fato ou ação do texto.
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ARGUMENTAÇÃO
CRÍTICA
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▪Discutir as ações das personagens.
▪Argumentar sobre o conteúdo do texto lido.
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Fonte: Elaboração própria (2019)
5. FUNDAMENTAÇÃO
5.1. BASE
LEGAL
A base deste
projeto é legal porque está em conformidade com as disposições dos artigos 205
e 206 do capítulo III Da Educação, da
Cultura e do Desporto, Seção I Da
Educação da Constituição da República Federal do Brasil (1988):
Art.205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será
promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho.
Art.206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento,
a arte e o saber;
III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência
de instituições públicas e privadas de ensino. [...]
O projeto
segue as orientações do item 3 das Competências
gerais da Educação Básica descritas na Base Nacional Comum Curricular - BNCC
(2017): Valorizar e fruir as diversas
manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também
participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural. (p.9)
Além disso, responde aos
postulados 8 e 9 das Competências específicas de Língua Portuguesa para o Ensino Fundamental
definidas na BNCC (2017):
8. Selecionar
textos e livros para leitura integral, de acordo com objetivos, interesses e
projetos pessoais (estudo, formação pessoal, entretenimento, pesquisa, trabalho
etc.). (p.87)
9. Envolver-se
em práticas de leitura literária que possibilitem o desenvolvimento do senso
estético para fruição, valorizando a literatura e outras manifestações
artístico-culturais como formas de acesso às dimensões lúdicas, de imaginário e
encantamento, reconhecendo o potencial transformador e humanizador da
experiência com a literatura. (p.87)
Este projeto considera
a importância da leitura de textos literários para a formação do indivíduo e
para o desenvolver o hábito de leitura, como também oferecer-lhe oportunidade
ainda na Educação Básica, o acesso ao texto literário e a estratégias de
leitura que possam despertar a fruição estética e a proposição de sentido para
os textos lidos.
5.2. CONTEXTO
PSICOLÓGICO
Conforme Vygotski
(2003), o aprendizado da criança é mediado por relacionamento com os outros,
dando grande importância ao caráter social do aspecto da linguagem, ele chama
atenção para os problemas de atenção. Em seus estudos, Vygotski (1998) afirma
que o brinquedo cria na criança uma “zona de desenvolvimento proximal”, que é
por ele definida como:
“[...] a distância entre o nível de desenvolvimento
real, que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e
o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da solução de
problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais
capazes.” (p.112)
Vygotski diz
que o nível de desenvolvimento real se refere a tudo aquilo que a criança já
tem consolidado em seu desenvolvimento, e que ela é capaz de realizar sozinha
sem a interferência de um adulto ou de uma criança mais experiente. Já a “zona
de desenvolvimento proximal” (fig.1) refere-se aos processos mentais que estão
em construção na criança, ou que ainda não amadureceram.

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A “zona de
desenvolvimento proximal” é, pois, um domínio psicológico em constantes
transformações, aquilo que a criança é capaz de fazer com a ajuda de alguém
hoje, ela conseguirá fazer sozinha amanhã. É nesse sentido que a brincadeira
pode ser considerada um excelente recurso a ser usado quando a criança chega à
escola, por ser parte essencial de sua natureza, podendo favorecer tanto
aqueles processos que estão em formação, como outros que serão completados. “A
aprendizagem precede o desenvolvimento e pode influenciá-lo, ajudando a criança
a superar os limites da zona de desenvolvimento potencial”. (Vygotski, 2003).
Desta forma, fica claro que o caráter social de aprendizagem impõe o fato de
que aquilo que a criança é capaz de fazer sob a orientação de outra pessoa dará
conta do que poderá fazer por conta própria num futuro não muito distante.
E se, para
Vygotski, o estudo da linguagem deve ser feito dentro da estrutura de sua
função comunicativa e social, e considera que a boa aprendizagem é aquela que
se adianta e conduz o desenvolvimento. Desta forma, ele, além de valorizar a
aprendizagem como a promotora do desenvolvimento humano, delega à educação e ao
ensino um importante papel nesse processo. Este pressuposto é de fundamental
importância para a educação escolar por colocá-la em um grau de extrema
relevância na constituição do desenvolvimento humano.
Isto ocorre
porque, de acordo com a perspectiva vygotskiana, a aprendizagem sai do
contexto da mecanização e do treinamento de habilidades que, na maioria das
vezes, ficam restritas às funções elementares e, consequentemente, pouco
influenciam as funções psicológicas superiores (memória, atenção, pensamento,
consciência). Tais funções não só se distinguem por estruturas mais complexas,
como auxiliam a formação de outras absolutamente novas, possibilitando a
formação de sistemas funcionais complexos.
Vygotski
comprovou sua tese quando realizou investigações sobre a aprendizagem e o
desenvolvimento. Essas investigações contribuíram muito para a compreensão
do pensamento e da linguagem, interação social nos processos de aprendizagem. Estudo
bastante significativo devido à riqueza de sua construção teórica, principalmente
no contexto da psicologia escolar (que envolve disciplinas de linguagem e
exatas):
“(...) toda aprendizagem escolar, tomada no
aspecto psicológico, gira sempre em torno do eixo das novas formações básicas
da idade escolar: a tomada de consciência e apreensão. (VYGOTSKI, 2000, p.
321).
(...) a criança adquire certos hábitos e
habilidades numa área específica antes de aprender a aplicá-los de modo
consciente.” (VYGOTSKI, 2000, p.322).
“(...) o pensamento abstrato da criança se
desenvolve em todas as aulas, e esse desenvolvimento de forma alguma se
decompõe em cursos isolados de acordo com as disciplinas que se decompõe o
ensino escolar.” (VYGOTSKI, 2000, p.325).
Dessa forma,
os pressupostos vygostkianos são imprescindíveis para aplicação desse
projeto, visto que disponibiliza a possibilidade de analisar a aprendizagem dos
alunos sobre aquilo que ainda não está “amadurecido” ou que não foi
experimentado ou oferecido, fazendo com que se compreenda o significado do
processo de apropriação do conhecimento. E acredito que “a zona de
desenvolvimento proximal” aparece como um campo de possibilidades para a
aprendizagem no que concerne as estratégias de leitura e para avaliação da
compreensão leitora.
5.3 CONTEXTO
PEDAGÓGICO
A Escola Lireda
Facó é uma instituição pública situada no bairro Bom Jardim, subúrbio de
Fortaleza, foi criada pela Resolução n ° 0216, de 5 de maio de 2005, iniciaram abril
de 2005, nasceu como uma resposta à demanda do serviço educativo das
comunidades e sectores circundantes.
A proposta
pedagógica da escola fundamenta-se em pressupostos teóricos que compreendem o
ser humano em sua integralidade – cognição, natureza, sentimento e
relacionamentos, ou seja, em uma perspectiva que discute não só a ampliação do
tempo na escola, mas a concepção da Educação Interdimensional na formação do
jovem e na nova concepção de educador da Escola Municipal de Fortaleza.
As escolas da
rede pública de Fortaleza adotam, como norteadores das políticas educativas e
das ações pedagógicas, os seguintes princípios:
“I - Éticos: de justiça,
solidariedade, liberdade e autonomia; de respeito à dignidade da pessoa humana
e de compromisso com a promoção do bem de todos, contribuindo para combater e
eliminar quaisquer manifestações de preconceito de origem, raça, sexo, cor,
idade e quaisquer outras formas de discriminação.
II - Políticos: de reconhecimento dos direitos e deveres de
cidadania, de respeito ao bem comum e à preservação do regime democrático e dos
recursos ambientais; da busca da equidade no acesso à educação, à saúde, ao
trabalho, aos bens culturais e outros benefícios; da exigência de diversidade
de tratamento para assegurar a igualdade de direitos entre os alunos que
apresentam diferentes necessidades; da redução da pobreza e das desigualdades sociais
e regionais.
III - Estéticos: do cultivo da sensibilidade juntamente com o da
racionalidade; do enriquecimento das formas de expressão e do exercício da
criatividade; da valorização das diferentes manifestações culturais, especialmente
a da cultura brasileira; da construção de identidades plurais e solidárias.” (BRASIL,
2013, P.130,131)
A missão desta
instituição afirma que eles são uma Instituição Pública de Ensino que oferece
educação integral de qualidade a crianças, jovens e adultos, à luz de uma
pedagogia libertadora, crítica e dialogante ... comprometida com a educação
para a democracia, o trabalho, a convivência social e a preservação do
patrimônio natural e cultural.
Com base nos
resultados da Prova Brasil 2017, é possível calcular a proporção de alunos com
aprendizado adequado à sua etapa escolar:
“Nível de Aprendizado em Português, 5º ano -
61%: É a proporção de alunos que aprenderam o adequado na competência de
leitura e interpretação de textos até o 5º ano na rede pública de ensino. Dos
37 alunos, 23 demonstraram o aprendizado adequado.
Nível de Aprendizado em Português, 9º ano -
35%: É a proporção de alunos que aprenderam o adequado na competência de
leitura e interpretação de textos até o 9º ano na rede pública de ensino. Dos
187 alunos, 66 demonstraram o aprendizado adequado.”
(Fonte: QEdu.org.br.
2017)
O Ideb¹ 2017 nos
anos finais da escola ultrapassou a meta de 4,0, alcançando 4,6. Mas tem o
desafio de buscar garantir mais alunos aprendendo e com um fluxo escolar
adequado.
¹ O
Ideb é calculado com base no aprendizado dos alunos em português e matemática
(Prova Brasil) e no fluxo escolar (taxa de aprovação).
5.4
PRESSUPOSTOS TEÓRICOS
5.4.1 Letramento
literário
“Era uma vez uma criança… que estava na
companhia de um adulto… e o adulto tinha um livro… e o adulto lia. E a criança,
fascinada, escutava como a língua oral se torna língua escrita. A fascinação do
lugar preciso que o conhecido se torna desconhecido. O ponto exato para assumir
o desafio de conhecer e crescer.” (FERREIRO, 2002, p.48).
O termo letramento ou literacia, muito conhecido no meio acadêmico e
comunidade escolar, reporta aos processos de apropriação da escrita como uma
tecnologia cada vez mais fundamental nas sociedades modernas. Contudo, muito mais
que um código simbólico, o termo faz referência ao domínio de um conjunto de
práticas sociais centradas na escrita (KLEIMAN, 2013a; SOARES, 2014).
E não há um grau zero de letramento ou iletramento, pois todo indivíduo,
seja qual for sua condição econômica, social ou intelectual, faz algum tipo de
uso da escrita e de sua prática social. Dessa forma é cada vez mais usual o
termo no plural - “letramentos” - o que poderia indicar “as diferenças entre as
práticas de leitura, derivadas de seus múltiplos objetivos, formas e objetos,
na diversidade também de contextos e suportes em que vivemos” (PAULINO, 2001,
p. 56).
Resgatando o conceito do termo letramento, podemos, então, entender o letramento
literário como o processo de apropriação da literatura enquanto linguagem
(COSSON, 2014), e o letrado literário, como a condição daquele que não apenas é
capaz de ler e compreender gêneros literários, mas que aprendeu a gostar de ler
literatura e o faz por escolha, pela descoberta de uma experiência de leitura
distinta, associada ao prazer estético. Assim, letramento literário diferencia
de outros tipos de letramento, porque a literatura ocupa um lugar distinto em
relação à linguagem. Segundo Cosson, a literatura tem a capacidade de “tornar o
mundo compreensível transformando a sua materialidade em palavras de cores,
odores, sabores e formas intensamente humanas”.
Também o termo letramento literário vem se tornando cada vez mais
conhecido no meio acadêmico e escolar, uma vez que indica a leitura/produção e
a visão crítica dos conteúdos abordados na escola, bem como nas práticas
sociais de leitura e escrita. Para Graça Paulino,
“[...] usamos hoje a expressão letramento
literário para designar parte do letramento como um todo, fato social
caracterizado por Magda Soares como inserção do sujeito no universo da escrita,
através de práticas de recepção/produção dos diversos tipos de textos escritos
que circulam em sociedades letradas como a nossa. Sendo um desses tipos de
textos o literário, relacionado ao trabalho estético da língua, à proposta de
pacto ficcional e à recepção não-pragmática, um cidadão literariamente letrado
seria aquele que cultivasse e assumisse como parte de sua vida a leitura desses
textos, preservando seu caráter estético, aceitando o pacto proposto e
resgatando objetivos culturais em sentido mais amplo, e não objetivos
funcionais ou imediatos para seu ato de ler.” (PAULINO, 2001, p. 117)
Uma das maiores discrepâncias que se verificam nas aulas de literatura é,
por exemplo, a pouca relevância dada ao texto literário, que, em geral, é
apresentado aos alunos como algo “impossível” de se interpretar ou entender. A
literatura em sala de aula, a maioria das vezes é repassada apenas como uma descrição
da cronologia das escolas literárias e da biografia e obras dos autores. E
quando a obra literária chega para o aluno (geralmente trechos), é utilizada somente
como matéria educativa para estudo de conteúdos linguísticos, e a leitura
desses trechos literários, muitas vezes, é vista como algo obrigatório e
sistemático, e por sua vez, não prazeroso. Raras são as oportunidades de
leitura de um texto integral.
Para Cosson, o letramento literário propõe uma visão voltada para o
verdadeiro sentido da leitura e literatura, existindo, no contexto social, cultural
e escolar:
“[...]
devemos compreender que o letramento literário é uma prática social e, como
tal, responsabilidade da escola. A questão a ser enfrentada não é se a escola
deve ou não escolarizar a literatura, como bem nos alerta Magda Soares, mas sim
como fazer essa escolarização sem descaracterizá-la, sem transformá-la em um
simulacro de si mesma que mais nega do que confirma seu poder de humanização.” (COSSON,
2014, p. 23)
Assim os estudos do letramento literário têm contemplado pontos
importantes, tais como: o processo de escolarização da literatura; as práticas
de formação de leitores; as especificidades da leitura do texto literário etc.
A maioria dos estudos e pesquisas têm estado circunscritos, hoje, à esfera
escolar. Isso se justifica pelo fato de ser a escola a grande promotora da
leitura de literatura. E cabe mesmo a ela a tarefa de apresentar a literatura
aos alunos, sobretudo num país no qual o acesso ao livro e à cultura é ainda
bastante dificultado.
5.4.2 O conto
fantástico
O conto fantástico
que passeia pelos caminhos do imaginário, pelo maravilhoso, pelo fabuloso, é um
gênero de difícil definição, pois não se revela por completo de um só viés
narrativo. Centro de diversas teses e discussões literárias, a cada instante, a
narrativa fantástica revela novas peculiaridades, novas concepções para apreciação
que decorrem das variadas formas de combinação com outros gêneros literários. E
essa vizinhança do fantástico e maravilhoso, por fazer alusão à fantasia, à
imaginação, ao sonho, ao insólito, enfim, a tudo aquilo que não faz parte de
uma realidade factível; está expressa na origem do nome fantástico. E definir o fantástico é tarefa complexa. Duas
concepções prévias, e quase opostas, surgem quando o tema é levantado: de um
lado, destaca-se os textos ligados ao maravilhoso, à fantasia; em outro, é
direcionada a produção dos escritos como Lovecraft, Poe, Borges, Kafka e Gógol.
Rodrigues
(1988, p.9) diz que o vocábulo fantástico vem do latim phantasticu que por sua vez se originou do grego phantastikós, ambos originados do termo fantasia. Nesse sentido, ao lançar um
olhar sobre a literatura produzida é possível ter a impressão de que grande
parte dessa pertença ao gênero fantástico. Mas é preciso cuidado ao classificar
um texto como fantástico.
Em Contos fantásticos do século XIX (CALVINO,
2004, p. 9), o autor italiano discorre sobre o tema polêmico:
“O conto fantástico é uma das produções mais
características da narrativa do século XIX e também uma das mais significativas
para nós, já que nos diz muitas coisas sobre a interioridade do indivíduo e
sobre a simbologia coletiva.
[...] É do terreno específico da especulação
filosófica entre os séculos XVIII e XIX que o conto fantástico nasce: seu tema
é a relação entre a realidade do mundo que habitamos e conhecemos por meio da
percepção e a realidade do mundo do pensamento que mora em nós e nos comanda.
[...] com a intenção declarada de representar
a realidade do mundo interior e subjetivo da mente, da imaginação.”
Mas foi a
sanção de Todorov que o fantástico alcançou
o status de gênero literário em Introduction à la littérature fantastique (1970).
O crítico afirma que aquilo que provoca o fantástico
é a incerteza diante da veracidade do fato narrado. O fato extraordinário
que o conto narra deve deixar sempre uma possibilidade de explicação racional,
mesmo que seja uma explicação sobre o um evento insólito ou onírico. Essa
incerteza leva o personagem a questionar se o que se observa vem ou não de um
fato real: a resposta a esse dilema, se é um fato sobrenatural ou explicado
racionalmente, sugere que se está diante de gêneros vizinhos ao fantástico: o
estranho e o maravilhoso:
“[...] a hesitação pode ser igualmente
experimentada por uma personagem; desta forma o papel do leitor é, por assim
dizer, confiado a uma personagem e ao mesmo tempo a hesitação encontra-se
representada, torna-se um dos temas da obra, [e] no caso de uma leitura ingênua,
o leitor real identifica-se com a personagem.” (TODOROV, 2007, p. 18-25).
Na leitura de
contos fantásticos fantástico, é de se esperar que o aluno reaja ao se deparar
com os acontecimentos insólitos dentro da narrativa, que o texto provoque dúvidas
sobre a possibilidade da factualidade dos eventos. A professora aqui terá que
criar ambiente, condições e direcionamento de leituras que privilegie a acepção
literal do texto, caso contrário, a reação do aluno perante os eventos
fantásticos poderá ficar desapercebida. Isto acontece, porque na alegoria, no
maravilhoso ou no fabuloso, o aluno já aguarda esses acontecimentos.
O fantástico se
ampara em elementos como a incerteza, o insólito, o sobrenatural, o suspense, o
mistério para tecer suas tramas. E estes elementos atribuem uma certa coerência
ao propósito desse gênero. Sobre esta função dos elementos da magia, Todorov
esclarece:
“Em primeiro lugar, o fantástico produz um
efeito particular sobre o leitor — medo, horror ou simplesmente curiosidade—,
que os outros gêneros ou formas literárias não podem suscitar. Em segundo
lugar, o fantástico serve à narração, mantém o suspense: a presença de
elementos fantásticos permite uma organização particularmente rodeada da
intriga. Por fim, o fantástico tem uma função a primeira vista tautológica:
permite descrever um universo fantástico, que não tem, por tal razão, uma
realidade exterior à linguagem; a descrição e o descrito não têm uma natureza
diferente.” (TODOROV, 2007, p. 45).
Este projeto
tem a intenção de oferecer ao aluno, além do conto fantástico, todos outros
gêneros circunvizinhos e subgêneros que provém das narrativas fantásticas: o
maravilhoso, o suspense, o terror, o mistério, entre outros. Pela dificuldade
de distinguir, de separar e até de entender as especificidades de cada um
deles, optou-se assim, trabalhar com todos de acordo com sua proximidade e
interesse dos alunos.
“[...] uma das
maiores problemáticas em se tratando do gênero fantástico, a sua proximidade
com o Maravilhoso, um gênero tão fronteiriço, tão cheio de nuanças que, em se
tratando de demonstrar se uma narrativa pertence ao fantástico ou não, e esse é
o nosso caso, acaba por transformar-se em um significativo obstáculo, pois
enquanto algumas características nos induzem a entender um texto como
Maravilhoso ( por exemplo a aceitação do fato sobrenatural como algo comum),
outras ( por exemplo a utilização de mitos e motivos populares) nos levam a
crer que esse tipo de procedimento também pode pertencer ao fantástico,
contanto que o autor consiga o efeito pretendido.” (PAULA JÚNIOR, 2003, p. 30)
A literatura
fantástica desperta a imaginação do indivíduo, e pode ser o pontapé de um processo
de aproximação do aluno com o universo da leitura literária. Quando o
fantástico se apropria dessas referências de uma ultra realidade, de um espaço
temporal de emoções, de ambientes, de costumes, de arquétipos e de tramas para
abstrair dos fatos cotidianos, pode sim motivar o aconchego dos alunos a esse
gênero.
Contudo, iniciar
esse processo não é uma incumbência nada fácil, pois a realidade que
encontramos na sala de aula demostra como o aluno está distante do que seria o
leitor proficiente. Muitos jovens confessam uma aversão à leitura literária,
principalmente quando indicadas pelo professor em sala com intuito de
avaliação. Por outro lado, eles ficam fascinados pelo universo das HQ’s, séries
televisivas, mídias, redes sociais e cinema. Petit (2008) fala sobre esse fascínio:
“[...] aos livros, os jovens preferem o cinema ou a televisão, que identificam
com a modernidade, a rapidez e a facilidade, ou preferem a música, o esporte,
que são prazeres compartilhados”. (p.
17). E sobre a leitura, Petit (2008) argumenta:
“[...] contribui, algumas vezes, para que
crianças, adolescentes e adultos, encaminhem-se no sentido mais do pensamento
do que da violência. Em certas condições, a leitura permite abrir um campo de
possibilidades, inclusive onde parecia não existir nenhuma margem de manobra.”
(p. 13).
Petit ainda argumenta
que a leitura permite um certo distanciamento, uma fuga da realidade concreta,
estimulando o senso crítico do indivíduo para que, como sujeito social. Ele
reflita sobre suas potencialidades e as possibilidades de um novo viver. Dessa
forma, o sujeito transforma o texto e “[...] também é transformado: encontra
algo que não esperava e não sabe nunca aonde isso poderá levá-lo.” (p.28-29)
pois “opera um trabalho produtivo”. Eis o grande lance da leitura; e Petit
ainda lembra que na adolescência a literatura pode ocupar uma função transformadora,
que pode mudar os caminhos da vida do jovem e realinhar seus os pontos de
vistas.
Trabalhar
literatura na escola exige do professor uma didática que aborde a polissemia
para que o aluno desenhe diferentes interpretações e “apreciações relativas a
valores éticos e/ou políticos” (FIORIN, 2009, p.6). Assim, um leitor eficiente
percebe que não há uma única interpretação, mas variadas possibilidades de interpretação
oferecidas pelo texto literário, e uma interpretação é validada na superfície
do texto, pelo cotexto, pelas por marcas, vestígios, indícios, enfim, pelas
pistas textuais. E que o professor também se utilize de conceitos como o dialogismo
para formar seu aluno em um leitor eficiente. Voltamos assim a Bakhtin e a sua construção
dialógica de sentido, que elege a comunicação como fator central na linguagem:
“O próprio ser do homem (exterior como
interior) é uma comunicação profunda. Ser significa comunicar (...) O homem não
possui um território interior soberano, ele se situa todo e sempre em uma
fronteira: olhando para o seu interior; ele o olha nos olhos do outro ou
através dos olhos do outro.” (BAKHTIN, 1981, p. 79).
Para fechar essa
fundamentação do projeto não poderia deixar de fora Rildo Cosson (2006), que
descreve o caráter de formador da literatura em sala de aula:
“Na leitura e na
escritura do texto literário encontramos o senso de nós mesmos e da comunidade
a que pertencemos. A literatura nos diz o que somos e nos incentiva a desejar e
a expressar o mundo por nós mesmos. E isso se dá porque a literatura é uma
experiência a ser realizada. É mais que um conhecimento a ser reelaborado, ela
é a incorporação do outro em mim sem renúncia da minha própria identidade. No
exercício da literatura, podemos ser outros, podemos viver como os outros,
podemos romper os limites do tempo e do espaço de nossa experiência e, ainda
assim, sermos nós mesmos. É por isso que interiorizamos com mais intensidade as
verdades dadas pela poesia e pela ficção. (...) ficção feita palavra na
narrativa e a palavra feita matéria na poesia são processos formativos tanto da
linguagem quanto do leitor e do escritor.” (p.17).
A partir dessas funções formativas e estéticas da literatura,
que devemos reivindicar uma nova orientação para o uso dos textos literários na
sala de aula. Reconhecer o caráter formativo da literatura, implica discutir
sobre os sujeitos envolvidos nessa formação: os alunos, os professores, os
textos literários e as estratégias leitoras. E esse esboço teórico apresentado
aqui é apenas um impulso para embasar este projeto. Muito mais será pesquisado,
estudado e investigado para produzir uma pesquisa eficiente, aplicável,
incentivadora e transformadora.
6. CRONOGRAMA
|
Atividades
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2019.1
|
2019.2
|
2020.1
|
2020.2
|
|
Preparação do pré-projeto
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ü
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Preparação do projeto
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ü
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ü
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Fundamentação teórica
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ü
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ü
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ü
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Qualificação do projeto
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Coleta de dados
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ü
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Análise dos dados
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ü
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ü
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Verificação de hipóteses e resultados
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ü
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ü
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Redação da dissertação
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ü
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ü
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Defesa da dissertação
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ü
|
REFERÊNCIAS
BAKHTIN, M. (VOLOCHINOV). Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec. 1998.
______. Estética da criação verbal.
Trad. Mari Ermantina G. G. Pereira. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes. 1997.
______. Problemas da poética de Dostoiévski. Tradução de Paulo Bezerra. Rio
de Janeiro: Forense Universitária, 1981.
BERNAL, J.D. Sciense in History. Vol 1, 3° ed. C. A. Watts & Co Ltd, 1965.
BLANCO GARCÍA, N. Las rejas invisibles. El contenido y la enseñanza de la Historia:
Estudio de un caso. Tese de doutorado. Facultad de Filosofía y Letras,
Departamento de Didáctica y Organización Escolar / Universidad de Málaga, 1992.
Bortololussi, M.: Análise teórica da história das crianças. Alhambra - Madri, 1985.
BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica/
Ministério da Educação. Secretária de Educação Básica. Diretoria de Currículos
e Educação Integral. – Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013.
CALVINO, I. (Org.). Contos fantásticos do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras,
2004.
COSSON, R. Letramento
literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto,
2014.
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|
OBJETIVOS
|
PROBLEMAS
|
HIPÓTESES
|
METODOLOGIA
|
|
Formar
leitores críticos e reflexivos capazes de compreender uma gama diversificada
de gêneros literários.
|
O conto
fantástico promove a formação de leitores literários proficientes?
|
O uso do
conto fantástico pode colaborar no processo de letramento literário,
proporcionando a entrada dos alunos no universo literário, desenvolvendo
assim habilidades cognitivas de leitura que os tornarão leitores
proficientes.
|
A pesquisa
será baseada em um estudo de abordagem qualitativa e análise descritiva do
fenômeno educacional em alunos das séries finais do Ensino Fundamental
envolvendo o estudo dos aspectos emocionais e cognitivos a partir da leitura
de contos fantásticos.
|
|
Desenvolver
a sensibilidade estética, a imaginação, a criatividade e o senso crítico,
buscando estabelecer relações entre a leitura e o conhecimento de mundo do
aluno.
|
Os projetos de leitura de contos
fantásticos e planejamentos de aulas que envolvam a literatura fantástica nas
séries finais do ensino fundamental promovem o letramento literário?
|
A leitura de
contos fantásticos possibilita aos alunos refletirem sobre si e sobe o mundo,
não porque vivenciam situações que são da ficção, mas que tem inspiração na
condição humana.
|
A pesquisa
refere-se a revistas e autores físicos e digitais que tomaram pesquisas e
dados de outros autores para esboçar interpretações que pode ajudar a
entender a natureza do fenômeno em questão, bem como suas causas.
|
|
Promover o
contato com autores nacionais e estrangeiros, em especial na literatura
fantástica.
|
|
A partir da
aplicação de histórias fantásticas será de grande ajuda para os nossos alunos
que verão o ato de ler como algo divertido que pode levá-los a melhor
distribuir seu tempo para ler textos cativantes e
instigantes.
|
Seleção,
leitura e análise de contos fantásticos.
|
|
Discutir a literatura a partir da
leitura do gênero conto fantástico e sua inserção ou não no universo escolar,
(re)conhecendo as práticas pedagógicas que circulam e colaboram na formação
de leitores e do letramento literário.
|
|
A leitura de
contos fantásticos contribui para o desenvolvimento do aluno em diferentes
aspectos: cognitivo, sensorial, artístico, social e cultural.
|
Avaliar os
resultados alcançado com a oficina de leitura dos contos fantásticos.
|
APÊNDICE I
QUESTIONÁRIO
DE PESQUISA
1 – Você sabe o que é Literatura? Tente explicar.
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
2 – Quais livros já leu?
a.
Literários
_______________________________
_______________________________
_______________________________
_______________________________
b.
Não literários
_______________________________
_______________________________
_______________________________
_______________________________
3 - Você gosta de ler livros de literatura? Por
quê? Qual a sua explicação para o fato de gostar/não gostar?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
4 - Com que frequência você lê livros de
literatura?
a.
( )
livros por semana.
b.
( ) livros por mês.
c.
( ) livros por ano.
d.
( ) não leio.
5 - Dentre os gêneros literários existentes
(poesia, poema, conto, crônica, romance etc.) qual você mais aprecia e por quê?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
6 - A leitura de uma obra literária ajuda a você
refletir e compreender o mundo de forma melhor?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
7 - Em que local você costuma ler? E
em que momento?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
8 - Em sua opinião, o que significa uma pessoa
letrada?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
9 -: Para você a literatura ajuda a pessoa
tornar-se letrada?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
10 - No seu entendimento o que é um bom livro?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
11 - Você já se emocionou lendo um texto literário?
Poderia contar como foi essa experiência?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
12 - Você
gosta de ler uma obra literária indicada pelo seu professor em sala de aula?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
13 - Você poderia apontar quais são as
características de um leitor crítico?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
14 - Você
poderia citar alguma obra literária existente na biblioteca da sua escola?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
15 - Você gosta de colecionar textos, poemas,
pensamentos? Você tem um caderno onde costuma escrever esses textos?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
16 - Você acha que a leitura das obras literárias
contribui para a formação do indivíduo?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
17 – Você tem redes sociais? Quais?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
18 – Que tipo de conteúdo você compartilha nas
redes sociais?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
19 – Que páginas você segue nas redes sociais?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
20 – Você acompanha séries televisivas? Quais suas
preferidas?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
21 – Marque os gêneros que você mais aprecia em
livros, filmes e séries:
a.
( ) Romântico.
b.
( ) Ficção científica.
c.
( ) Policial.
d.
( ) Mistério.
e.
( ) Suspense.
f.
( ) Comédia.
g.
( ) Terror.
h.
( ) Drama.
i.
( ) Biografia.
j.
( ) Fantasia.
k.
( ) Super-heróis.
l.
( ) Mitologia.
m. ( ) Guerra.
n.
( )
................................................................
22 – Como você gostaria que fosse a oficina de
leitura?
_______________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
APÊNDICE III
QUESTIONÁRIO FINAL
Letramento literário: Contos Fantásticos
Chegamos ao nosso último encontro, antes de
encerrarmos nossa oficina, peço que responda as questões abaixo:
1- Dê sua opinião sobre as atividades propostas na
oficina.
____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
2- Nas propostas de compreensão e interpretação
textual apresentadas, você teve a liberdade de posicionar-se, fazer
comentários, expressar-se e relatar suas experiências?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
3 - Nas aulas da oficina foram apresentadas um
trabalho direcionado para várias leituras, apresentando o gênero fantástico e
seus subgêneros através de contos, séries, filmes, games, poemas, músicas e
relatos pessoais, uma interação entre os textos. É uma nova perspectiva sobre o
ensino de literatura nas aulas de Língua Portuguesa. Dê a sua opinião sobre
essa proposta.
4- Produza um relato reflexivo e/ou crítico sobre o
procedimento metodológico da professora durante a oficina de leitura de contos
fantásticos.
_______________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________




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