segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Expressões Modalizadoras por TARCIA VASCONCELOS

Expressões Modalizadoras - Análise Linguística / Semiótica
Profa. TARCIA VASCONCELOS
Título da aula:
Modalizadores em Crônica Esportiva

Objetivos:
·         Compreender o que são os modalizadores e como eles são utilizados em textos dissertativos.
·         Identificar palavras e expressões que denotam as posições implícitas ou assumidas pelo jornalista em uma crônica esportiva.
·         Compreender o uso de adjetivos, locuções adjetivas, advérbios, locuções adverbiais orações adjetivas e adverbiais como elementos que servem para denotar estas posições.
·         Aprender qual a função da utilização de modalizadores na construção textual.
 Ano:
8º ano do Ensino Fundamental
Objeto do conhecimento:
Modalizadores Textuais
Prática de linguagem:
Análise linguística e semiótica
Habilidade da BNCC:
EF89LP16
Duração das atividades:
2h/a
Metodologia aplicada:
• Leitura de material explicativo sobre modalizadores.
• Leitura e interpretação de crônicas esportivas.
• Atividades de múltiplas escolhas.

Crônica: da ameaça de um novo ‘Maracanazo’ ao êxtase com Gabigol
Por Jana Sampaio
access_time 23 nov 2019, 21h30


A campanha pelo título em casa mereceu menções dos entusiastas do futebol e reacendeu o interesse dos torcedores desgarrados. No último confronto, que definiria o campeão do torneio, uma reviravolta silenciou quem acompanhava a final no Maracanã. O placar: 2 a 1; a partida: Uruguai e Brasil na final da Copa do Mundo de 1950.
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Apesar das semelhanças, e para a alegria dos rubro-negros, o duelo entre Flamengo e River Plate, que até os 43 minutos do segundo tempo foi dominado pelo time argentino, ganhou aquilo que os hermanos tanto mostraram ao longo de décadas: quando não resolve na técnica, vai na disposição. E esse ingrediente extra se fez valer na arrancada de Bruno Henrique e no oportunismo de um artilheiro, que escreveu definitivamente o nome na história do futebol brasileiro com números alcançados, recordes quebrados e uma vaga garantida na galeria de ídolos.
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Gabigol, artilheiro da Libertadores e do Brasileirão, o camisa 9 passou quase 88 minutos sem ser notado, aparecendo no momento e lugar certos para que a taça de campeão da América, até então a caminho de Buenos Aires, mudasse o rumo e fizesse mais de 50 mil rubro-negros, apreensivos, explodirem numa mistura de sentimentos capaz, inclusive, de lavar a alma daqueles que tanto choraram após o gol de Ghiggia.
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Enquanto a final da Copa Libertadores da América ocupava o Estádio Monumental, em Lima, no Peru, o Maracanã recebia os torcedores do time da Gávea, tornando-se o espaço com a maior concentração de flamenguistas por metro quadrado no Rio de Janeiro. Para fazer jus à festa, os rubro-negros chegaram cedo e acompanharam os shows de outros flamenguistas como eles. Ludmilla, DJ Malboro, Ivo Meirelles e Nego do Borel mesclaram suas canções de sucesso com hinos da torcida, levando todos a loucura.
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O clima não podia ser outro que não o de celebração. Com a expectativa nas alturas, era possível ouvir o grito nada tímido de “É campeão” e uma música que faz referência ao título de 1981, quando o Flamengo foi campeão da Libertadores pela primeira vez. O sorriso estampado no rosto de 100% dos torcedores não deixava dúvidas: a fé na vitória era certa.

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Mas o caminho até ela foi árduo. Aos 14 minutos do primeiro tempo, o argentino Borré abriu o placar para a equipe do River Plate. No Maracanã, as crianças choravam e os pais olhavam abismados para os oito telões espalhados no gramado diante da passividade da equipe liderada pelo português Jorge Jesus.

O silêncio era o principal elemento do estádio lotado. No início do segundo tempo, os torcedores, sem ter no time uma inspiração para cantar e aplaudir, encontrou forças para pedir que o time virasse o jogo. Lanternas de celulares foram acesas, os versos “vamos virar, Mengo”
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ecoaram e os rostos voltaram a encher-se de esperança. Não bastou. Foram quase 74 minutos até que Gabigol conseguisse alterar o placar.

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Dois minutos depois, os mais distraídos achavam estar diante de uma cena que repetia o feito do atacante. Na verdade, era a segunda vez que Gabigol balançava as redes do time adversário. Placar: 2 a 1. A festa tomou conta da arquibancada e já não era possível ouvir nada além das comemorações pelo bicampeonato — ainda que faltassem alguns minutos para o encerramento oficial da partida.

O torcedor rubro-negro agora comemora o título e espera não precisar passar pelo mesmo sufoco na final do Mundial de Clubes, em dezembro, provavelmente contra o Liverpool.

1. A crônica, que narra o jogo da final das Libertadores realizado em 23/11/ 2019, contém vários modalizadores/expressões modalizadoras, sendo que

a) apesar de (l. 05) indica concessão e está diretamente ligada ao contraste, à quebra de expectativa, já que, até os 43 minutos do segundo tempo, o jogo foi dominado pelo time argentino.
b) enquanto (l. 17) também traz ideia de concessão, já que “com mais posse de bola”, ter dificuldade não é algo naturalmente esperado.
c) até então (l.13) de indica consequência, porque as tentativas de ataque do Flamengo motivaram o River Plate a fazer um bloqueio.
d) ainda que (l.39) é conectivo de causa, já que apresenta o motivo de a zaga alvinegra não ter aguardado o encerramento oficial da partida.
e) mas (l.27) tem um significado alternativo, porque conecta duas opções possíveis para serem aplicadas no jogo.

2. As ideias veiculadas no texto se organizam estabelecendo relações que atuam na construção do sentido. A esse respeito, identifica-se, no texto, que
a) o termo “como”, em “como morte súbita”, introduz uma generalização.
b) o conectivo “mas também” inicia oração que exprime ideia de contraste.
c) o termo “Também” exprime uma justificativa.
d) a expressão “Além disso” marca uma sequenciação de ideias.
e) o termo “título” retoma “vitória”.

3. Para se entender o trecho como uma unidade de sentido, é preciso que o leitor reconheça a ligação entre seus elementos. Nesse texto, a coesão é construída predominantemente pela retomada de um termo por outro e pelo uso da elipse. O fragmento do texto em que há coesão por elipse do sujeito é:


a) “[…] os hermanos tanto mostraram ao longo de décadas.” (l.07)
b) “[…] que escreveu definitivamente o nome na história do futebol”. (l.09)
c) “No Maracanã, as crianças choravam.” (l.28)
d) “Na verdade, era a segunda vez que Gabigol balançava as redes do time adversário.” (l.37)
e) “o camisa 9 passou quase 88 minutos sem ser.” (l.12)

4. O texto acima possui elementos coesivos que promovem sua manutenção temática. A partir dessa perspectiva, conclui-se que

a) a palavra “mas”, na linha 27, contradiz a afirmação do parágrafo anterior.
b) a expressão “ainda que”, na linha 39, introduz uma explicação que não encontra complemento no início do texto.
c) as expressões: “números alcançados” e “recordes quebrados”, na linha 10, reforçam a ideia que perpassa o texto sobre a grande possibilidade do River Plate conquistar o título.
d) o uso da palavra “silêncio”, na linha 31, é um termo primordial para indicar a emoção dos torcedores.
e) a expressão “balançava as redes”, na linha 37, que substitui o termo “gol”, reforça a ideia de uma catástrofe iminente para os torcedores brasileiros.

5. A autora utiliza a palavra mas em duas situações no texto. Analisando aspectos da organização, estruturação e funcionalidade dos elementos que articulam o texto, o conectivo mas

a) expressa o mesmo conteúdo nas duas situações em que aparece no texto.
b) quebra a fluidez do texto e prejudica a compreensão, se usado no início da frase.
c) ocupa posição fixa, sendo inadequado seu uso na abertura da frase.
d) contém uma ideia de sequência temporal que direciona a conclusão do leitor.
e) assume funções discursivas distintas nos dois contextos de uso.

6. Na coesão textual, ocorrem fenômenos linguísticos chamados anáfora e catáfora, que são antecipações ou retomadas de termo presente ou não no texto. A diferença entre esses mecanismos depende da posição ocupada em relação ao item referido. Se catáfora ocorre quando um termo se refere a algo que ainda vai ser enunciado na frase. Um exemplo em que o termo destacado constrói uma catáfora é:

a) “Apesar das semelhanças (...)” (l. 5)
b)” (...) ganhou aquilo que os hermanos tanto mostraram ao longo de décadas:” (l.6-7)
c) “Dois minutos depois, os mais distraídos achavam estar diante de uma cena 9...)” (l.36)
d) “No Maracanã, as crianças choravam (...)” (l. 28)
e) “O clima não podia ser outro que não o de celebração.” (l. 23)
















Referências consultadas:  
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa.  Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 2009.

CORBARI, Alcione Tereza. Modalizadores: A negociação em Artigo de opinião. Linguagem em (Dis)curso – LemD, Tubarão, SC, v. 16, n. 1, p. 117-131, jan./abr. 2016. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/ld/v16n1/1518-7632-ld-16-0100117.pdf>. Acesso em: 9 jul. 2018.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil e Ensino Fundamental. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017.
FIORIN, José Luiz. Modalização: da língua ao discurso. Alfa. n. 44, p. 171-192, São Paulo, 2000. Disponível em: < https://periodicos.fclar.unesp.br/alfa/article/view/4204>. Acesso em: 9 jul. 2018.

MARCUSCHI, L. A. Gêneros Textuais: definição e funcionalidade. In: Dionísio,  Angela Paiva, Machado, Anna Raquel, Bezerra, M. Auxiliadora. Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002. p. 19-36.

NASCIMENTO, Erivaldo Pereira do. A Modalização no Gênero Notícia Jornalística. Revista do Gelne, v. 8, n. 12, p. 71-86, 2006. Disponível em: < https://periodicos.ufrn.br/gelne/article/view/11519>. Acesso em: 9 jul. 2018.

SCHNEUWLY, Bernard; DOLZ, Joaquim; NOVERRAZ, Michèle. Sequências didáticas para o oral e a escrita: apresentação de um procedimento. In: ROJO, Roxane. Gêneros orais e escritos na escola. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2004.

TRAVAGLIA, Luiz Carlos. A caracterização de categorias de texto: tipos, gêneros e espécies. Alfa, São Paulo, v.51, n.1, p. 39-79. 2007. Disponivel em: http://seer.fclar.unesp.br/alfa/article/view/1426/1127. Acesso em: 4 jul. 2018.


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